#02 - Saudosismo: o câncer do futebol!
#02 - Saudosismo: o câncer do futebol!
Todo esporte evolui, isso é um fato. E, na verdade, que bom que é assim! Isso não quer dizer que antes não era bom ou que hoje é melhor, apenas quer dizer que é diferente.
"Ah, mas antes tinham craques, hoje não!"; essa afirmação é baseada em quê? Basta você assistir a bons jogos hoje e perceberá que existem ótimos jogadores hoje em dia também, tanto quanto antigamente.
Mas, devemos nos lembrar de um detalhe: o futebol não é feito de craques! Em sua maioria, são jogadores medianos, que têm algum destaque em algum jogo ou alguma temporada, mas que fazem a média na maior parte do tempo.
"Ah, mas o Gerson na Copa de 70 acertava lançamento de 50, 60 metros!"; sim, é verdade! Mas, se você assistir esses lances hoje em dia, verá que ele domina a bola, ajeita, olha e depois faz o lançamento... nenhum marcador vai até ele para impedi-lo. Hoje em dia, experimente ficar com a bola esse mesmo tempo: ela não estará com você em segundos, pois a marcação virá rapidamente!
Sabe quem é o melhor jogador de todos os tempos? O "e se"! Mas, "e se" o Ronaldinho Gaúcho quisesse... "E se" o Romário tivesse ficado mais tempo na Europa... "E se" o Ronaldo Fenômeno não tivesse machucado o joelho... A verdade é que o "E se" não entra em campo e cada jogador fez o que pôde, quis ou conseguiu e é isso que deve ser analisado.
Existiram craques no passado, existem craques hoje em dia e existirão craques no futuro. A verdade é que hoje a informação chega mais rápido, então o adversário estuda muito bem a estratégia do seu time, sendo assim, fica mais fácil de anulá-la.
Outro fato é que todo jogador que se aposenta começa a se achar melhor do que os de hoje. Como se todo mundo tivesse piorado: ataque, defesa, goleiro, meias. Como se mesmo com tanto treino e tanta informação, os jogadores parassem de aprender a jogar bem. Isso não existe!
Um jogador que fala "eu hoje faria 50 gols" mas que na época dele não fez nem 25 numa temporada (e acredite, acontece direto), ele jamais faria os 50 prometidos hoje por ser hoje. No máximo faria mais gols se tivesse um meia que entendesse melhor seu posicionamento ou coisa do tipo, mas isso poderia ser em qualquer época; não quer dizer que hoje é pior.
A prova de que o saudosismo é um câncer é simples: assista a um jogo da Copa de 1970 e veja os espaços no campo, veja o tempo de reação do time adversário; vai lembrar muito o futebol amador de sua cidade hoje em dia (não estou falando de talento, mas de velocidade de jogo). Logo, com mais tempo para pensar, com menos incômodo do adversário, a técnica obviamente irá se sobressair. Mas, com a defesa marcando em cima hoje, com jogadores tendo físicos cada vez melhores e mais resistentes, tempo com a bola no pé é cada vez menor.
A lembrança que você tem dos jogadores antigos tem muito a ver com a vida que você levava: menos boletos, menos preocupação, mais tempo para focar no futebol. Afinal, para a geração de muitos pais, o Zico ou o Maradona foram os melhores de todos os tempos; para a geração de muitos avôs, o Garrincha e o Pelé foram os melhores; para os mais recentes, foi Cristiano Ronaldo e Messi; um pouco antes, Fenômeno, Zidane e Gaúcho. A verdade é que toda geração tem seus ídolos e os talentos continuarão surgindo; quer você queira ou não.


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